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Como carregar corretamente ovos em suas incubadoras para obter um equilíbrio térmico ideal? (1)

Não é segredo que diferenças de temperatura na incubadora geram uma janela de nascimento mais ampla e afetam negativamente a uniformidade dos pintinhos. Embora isso não seja evidente, é possível usar ovos incubados para tornar o ambiente da incubadora ainda mais homogêneo. Ou, como acontece na maioria dos casos, é possível gerar uma faixa de temperatura ainda mais ampla incubando um misto de ovos em posições incorretas. Isso soa familiar? Nesta série de 3 artigos, serão ensinadas as melhores maneiras possíveis de fazer a combinação entre ovos de diferentes lotes e o microambiente da incubadora.

Por Eduardo Romanini, Especialista de Desenvolvimento de Incubação, Petersime

Parte 1: Entendimento da troca de calor e da produção de calor do embrião

Basicamente, a faixa de diferenças de temperatura não é a mesma em todas as incubadoras. Ela depende muito da disposição e do desenho de incubadoras em estágio único, em associação com padrões de aquecimento/refrigeração e dinâmicas de fluxo de ar.

A manutenção da diferença entre a temperatura mais alta e a mais baixa ao mínimo possível dentro das máquinas acabará por definir os resultados da incubação. Sem dúvida, afetará a taxa de desenvolvimento embrionário e seu tempo de eclosão.

Por esse motivo, carregar as máquinas com ovos de diferentes lotes e posicioná-los corretamente torna-se crucial. Você está se perguntando como? Estes são alguns conceitos básicos.

Trocas de calor em ovos incubados

Ovos incubados trocam calor de forma constate com o entorno do microambiente. O ventilador misturador central das incubadoras cria um fluxo de ar que passa pelos ovos e absorve o calor metabólico que é gerado pelo embrião em crescimento.

Esse processo se chama "transferência de calor por convecção" e prova que a velocidade do ar pode ter um grande impacto sobre a temperatura da casca do ovo. Dependendo do estágio de desenvolvimento do embrião, velocidades mais altas do ar podem gerar mais transferência de calor para dentro ou para fora do ovo.

Por exemplo, ovos posicionados perto do ventilador misturador central ficarão sujeitos a uma convecção ligeiramente mais eficiente. Por outro lado, ovos nos carros centrais ficarão sujeitos a uma convecção ligeiramente mais fraca. Isso é causado pelo formato em espiral do fluxo de ar e pelas barreiras que os ovos impõem ao fluxo de ar em ambos os lados.

Incubadora Petersime com distribuição de fluxo de ar em espiral para troca de calor ideal

As leis da física confirmam esse processo: em qualquer espaço tridimensional confinado, como em uma incubadora, uma velocidade mais alta do ar resultará em uma troca de calor convectiva mais alta. Nas incubadoras da Petersime, o desenho avançado da pá do ventilador cria uma distribuição de fluxo de ar em espiral na máquina. Dependendo da ativação dos elementos de refrigeração ou de aquecimento perto do ventilador, o fluxo de ar em espiral reduz o aumento ou a diminuição na temperatura a um mínimo, em diferentes posições na incubadora.

Mas não é só isso; virar os ovos também é importante para a troca de calor. Além de sua importância fisiológica (posicionamento do embrião, vascularização bilateral e utilização da gema do ovo), isso otimiza a dinâmica do fluxo de ar na incubadora, de forma simétrica. Ao alternar regularmente a posição de rotação das bandejas entre os perfis "A" e "V", a passagem do fluxo de ar pelos ovos é melhorada, em comparação com o nivelamento horizontal dos ovos.

A rotação das bandejas nos perfis "A", "V" e horizontal

O fluxo de ar com a rotação das bandejas nos perfis "A", "V" e horizontal

A esta altura, já deve estar claro que a troca de calor entre um ovo e o microambiente que o envolve muda de forma constante, durante a incubação. Até agora, a melhor maneira viável de acompanhar os ganhos ou perdas térmicas desde o - ou para o - ambiente da incubadora é monitorando a temperatura da casca do ovo.

Por esse motivo, as incubadoras da Petersime são equipadas com a tecnologia OvoScan™. Esse sistema ajusta a temperatura do ambiente de forma automática, medindo a temperatura da casca do ovo.

OvoScan™: criação do ambiente ideal para qualquer lote de ovos, independente do tamanho, idade ou conteúdo genético dos ovos férteis

Produção de calor em ovos mistos

Incubadoras comerciais em estágio único são capazes de abrigar milhares de ovos de uma vez. Isso costuma exigir a combinação de ovos com diferentes características.

Eles podem ter diferenças de tamanho, peso, propriedades da casca, duração de armazenamento e outras condições. A combinação de todos esses elementos tem um grande impacto sobre o calor gerado pelo embrião em crescimento durante a incubação; por isso, muitos problemas podem surgir.

Sendo assim, caso seja inevitável combinar diferentes conjuntos de ovos, a que elementos é preciso prestar atenção? Veja:

  • Em primeiro lugar, em diferentes espécies na avicultura há características de ovo e exigências de incubação muito específicas. Esse é um dos motivos pelos quais jamais se devem misturar ovos de frangos de corte e de poedeiras na mesma máquina incubadora.
  • Até mesmo entre raças dentro da mesma espécie e linhagens dentro da mesma raça, há diferenças na produção de calor. Por causa disso, não é possível obter resultados ideais de equilíbrio de calor e incubação quando se combinam diferentes ovos.
  • No tocante aos tamanhos de ovos, é correto presumir que ovos maiores gerem mais calor do que ovos menores, especialmente na segunda metade do período de incubação. Isso destaca a importância de incubar ovos uniformes, em termos de tamanho e peso.
  • Ovos maiores e mais pesados são gerados por lotes de matrizes mais antigas, que costumam ter maior conteúdo de energia na gema do ovo para sustentar o embrião em crescimento. Esse é outro bom motivo para evitar a incubação com ovos mistos que ultrapassem 10 semanas de diferença nas idades dos lotes.
  • Ovos de lotes de matrizes jovens começam a gerar calor mais cedo em comparação com ovos de um lote de matrizes mais antigas. Isso é causado pela redução geral na qualidade do ovo à medida que idade da matriz avança.
  • No tocante aos tempos de armazenamento, ovos armazenados por 3 dias têm maior probabilidade de gerar mais calor do que ovos armazenados por 21 dias. Tempos de armazenamento prolongados afetam o número de células embrionárias viáveis. Quando conjuntos de ovos são misturados, são desejáveis diferenças de até 7 dias em tempos de armazenamento, para minimizar os efeitos da carga de calor.

Cálculo do índice de produção de calor

Torna-se uma questão séria o controle da temperatura da casca do ovo e também a amostragem dos ovos corretos para servirem como referência no controle do ambiente da incubadora, quando se agrupam ovos de lotes mistos em uma única incubadora. Nesse caso, devem-se considerar sempre os percentuais de viabilidade ou eclodibilidade, pois eles revelam o número total de ovos dentro de um determinado grupo que, de fato, estão gerando calor.

Em geral, a "massa viva" total (o número esperado de ovos dentro de um grupo que contenham um embrião vivo ao fim da incubação) pode ser usada como indicador aceitável para produção de calor comparativa de ovos agrupados. Ela é calculada da seguinte maneira:

  • Com a definição de uma determinada raça, linhagem e idade do lote, é possível obter os percentuais de viabilidade esperados com os fornecedores dos ovos ou uma indicação dos mesmos, por meio dos dados históricos do incubatório, quando disponíveis.
  • De forma semelhante, o peso médio do ovo, de acordo com a idade do lote, pode ser obtido a partir dos catálogos do fornecedor ou pode ser caculado a partir de medições do ovo realizadas durante a recepção de ovos no incubatório.
  • É possível obter a eclodibilidade esperada por grupo de ovos a partir dos percentuais de viabilidade associados à armazenagem dos ovos em dias, ou ela pode ser obtida a partir dos dados históricos.
  • Em seguida, o percentual de eclosão multiplicado pelo número de ovos e o peso médio do ovo para um grupo específico de ovos resulta em uma "massa viva" total, que é proporcionalmente ligada a um índice de produção de calor de um determinado grupo de ovos (por exemplo, por carrinho)

Diferenças na produção de calor

Posicionamento de ovos mistos na incubadora

Depois de aprender sobre troca de calor, produção de calor e cálculo de um índice de produção de calor ("massa viva") para um grupo de ovos, a grande dúvida será como posicionar os ovos para obter a distribuição de temperatura mais equilibrada na incubadora. Isso é exatamente o que será explicado no segundo artigo desta série.