Escolha seu idioma

Entendendo o papel do CO₂ na incubação comercial

Não há dúvidas de que o elemento mais importante para o sucesso da incubação de ovos de aves é a temperatura. No entanto, outro fator fundamental que não deve ser esquecido é o CO₂. Esse elemento é importante para se obter a qualidade ideal dos pintos e o desempenho geral subsequente, além de contribuir para um bem-estar adequado.

Por Roger Banwell, Especialista Sênior em Incubação

Replicar a experiência, não o ambiente

Para compreender o importante papel do CO₂ na incubação comercial, devemos primeiro observar o que ocorre na natureza. O que acontece no ninho da galinha? É claro que os níveis de CO₂ usados na incubadora comercial não são os mesmos encontrados no ambiente do ninho, e nem deveriam ser.

E este é o motivo:

No ninho, uma pequena quantidade de ovos é depositada em um ambiente sem correntes de ar. Assim que a ninhada estiver completa, no início, a ave mãe permanecerá constantemente sentada sobre os ovos, garantindo uma boa transferência de calor devido ao contato direto com a placa de incubação. Ao cobrir os ovos e vedá-los do contato com o ambiente externo, o CO₂ se acumula. Ela interromperá esse contato direto apenas quando se levantar para virar os ovos a fim de garantir, entre outras coisas, uma boa uniformidade. Esse alto nível de atenção (e, portanto, alto CO₂) só diminui quando os ovos se tornam exotérmicos. Nesse momento, a galinha deixa o ninho e aproveita para se alimentar, o que faz o CO₂ cair. Ainda assim, ela permanece próxima ao ninho para garantir que os ovos fiquem suficientemente resfriados. Ela verifica os ovos de tempos em tempos, e, se eles começarem a esfriar demais, ela os agrupa e talvez até se sente sobre eles novamente. Por outro lado, se os ovos continuarem muito quentes, ela os moverá em direção à borda externa do ninho, na expectativa de expô-los a um ar mais fresco.

Apenas durante a fase crítica de eclosão é que a atenção da galinha e o nível de CO₂ voltam a ficar mais elevados. A taxa de difusão de gases e fluidos variará claramente conforme a galinha abafe efetivamente os ovos ou os deixe ao ar livre.

O objetivo é replicar essa experiência do ninho na incubadora comercial. O desafio aqui é conseguir atingir uma boa temperatura uniforme em uma escala muito maior. Para isso, usa-se um fluxo de ar constante de temperatura controlada dentro e em torno dos ovos.

Ao imitar a atenção da ave mãe, não é possível replicar fisicamente o efeito abafador em larga escala em uma incubadora. Isso é quase impossível por motivos práticos, principalmente porque é interessante manter uma boa uniformidade da temperatura. Controlaremos a taxa de difusão de gases e fluidos por meio do controle do ambiente em torno dos ovos. Os níveis mais altos de CO₂ no ambiente externo resultarão em um menor fluxo saindo ovo através da casca, como se a galinha estivesse sentada no ninho. Níveis muito mais baixos de CO₂ durante a fase exotérmica replicam a diminuição da atenção parental. Usando essas condições ambientais, podemos agora replicar a experiência da atenção da galinha durante o processo de eclosão. Dessa forma, o embrião passa pela mesma experiência que teria se estivesse em uma ninhada de ovos no ninho de uma galinha.

Estresse ou estímulo

Há várias maneiras de a ave mãe garantir que os ovos postos em dias diferentes eclodam em um intervalo de tempo relativamente curto. Alguns desses métodos ainda não foram totalmente compreendidos (como a vocalização). No entanto, já foi demonstrado que, quando a ave mãe retoma aos níveis elevados de atenção e se senta sobre os ovos férteis, a temperatura aumenta, e a taxa de difusão de gás diminui, o que estimula os pintinhos emergentes a saírem do ovo. Imitamos isso na incubadora comercial. Pode-se dizer que isso causa “estresse” no pintinho. Estresse é uma palavra muito usada hoje em dia e pode ter uma conotação negativa, pois costuma ser usada incorretamente. Essa palavra, nesse caso, refere-se a elementos que atuam como estímulo. Trata-se de uma ação perfeitamente natural que oferece o estímulo que o pintinho em eclosão vivenciaria na natureza.

Usando a natureza como referência

A evolução permitiu a sobrevivência de diversas espécies neste planeta. Em todos os casos, ou a seleção natural produziu uma criatura que usa elementos em seu benefício ou desenvolveu um mecanismo de defesa contra desafios. Portanto, seguindo a lógica, é possível dizer que a sobrevivência do embrião não ocorre apesar desses elementos, como taxas de difusão diferentes devido ao grau variado de atenção, mas sim que o embrião evoluiu para usar esse efeito em seu benefício.

É importante observar a natureza e, antes de tudo, ver como a ave mãe age. É igualmente importante tentar entender que resultado ela está tentando alcançar. A partir disso, é possível replicar as condições ideais e nos tornarmos, efetivamente, os pais perfeitos.

Resumo

Otimizar o CO₂ em sua incubadora comercial não necessariamente proporcionará um grande aumento na eclodibilidade, embora deva haver algumas melhorias. A intenção é obter a qualidade ideal e uniforme dos pintos, garantindo excelentes bem-estar e desempenho pós-eclosão.