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O que acontece durante a transferência?

A transferência dos ovos das incubadoras para os nascedouros é uma etapa importante do processo de incubação. Contudo, durante o processo, existem diversos riscos que ameaçam causar reduções em eclodibilidade, como mortalidade e posicionamento incorreto.

Por Jason Cormick, Especialista em Incubação da Petersime, Bélgica

Por que os pintinhos não podem ser incubados e eclodidos na mesma máquina?

No momento em que os pintinhos eclodem, eles geram muita penugem e resíduos que devem ser contidos e gerenciados. Por esse motivo, não é comercialmente viável incubar e eclodir na mesma máquina. Isso torna necessário o uso de duas máquinas diferentes, uma incubadora e um nascedouro.

  • A incubadora é projetada para iniciar a incubação de ovos endotérmicos frios durante os 18 primeiros dias do processo de eclosão. Isto exige muito aquecimento no início; os embriões crescerão e se tornarão exotérmicos. Nesse momento, eles exigirão muita refrigeração, em vez de aquecimento, pois eles próprios gerarão muito calor.
  • O nascedouro também terá muito aquecimento; porém, basicamente para secar a máquina após ela ter sido limpa. Nascedouros e bandejas de eclosão devem ser sempre secos antes de serem utilizados. Assim que os ovos chegam ao nascedouro, do dia 18 ao 21, ele irá, de forma geral, esfriar, pois os pintinhos em desenvolvimento geram a maior parte do calor.

Retirada dos ovos da incubadora

No dia 18, os ovos precisam ser transferidos das incubadoras para os nascedouros. Nesse estágio, é crucial evitar riscos de resfriamento ou superaquecimento, minimizando o tempo fora das incubadoras.

Assim que o ventilador de circulação da incubadora para, os ovos deixam de receber ar para refrigeração. Os operadores de incubatórios devem retirar um carrinho por vez, para garantir que os ovos recebam o máximo de fluxo de ar possível para mantê-los refrigerados. Embora os ovos na parte externa do carrinho comecem a esfriar, os que ficam no centro do carrinho ainda precisarão do fluxo de ar para auxiliar no processo de refrigeração. Eles correrão risco de superaquecimento, o que costuma causar o posicionamento incorreto do pintinho, colocando a cabeça sobre a asa.

Com a cabeça sobre a asa, o pintinho é capaz de perfurar o ovo, mas não alcançará o ângulo correto para continuar se movimentando. Geralmente, isso resulta em um único furo próximo ao topo, o que não é suficiente para que o pintinho ecloda.

Resultado do posicionamento incorreto da cabeça sobre a asa: um único furo próximo ao topo

Para evitar o superaquecimento, também é necessário garantir que haja ovos em todo lugar em que houver um sensor de temperatura.  A ausência de ovo nesta posição resultará em um ponto frio no sensor (medição incorreta de temperatura), o que, por sua vez, resultará no superaquecimento da máquina.

É necessário manter a sala de transferência a 26⁰ C, com umidade mínima e um fluxo de ar baixo, porém estável. A pressão do ar deve estar a 2,5 Pa, inferior à pressão na sala de incubação (3 Pa), mas superior à das salas de eclosão (2 Pa), para garantir que um correto fluxo de ar pelo incubatório.

Ovoscopia

A transferência de ovos no dia 18 é a oportunidade perfeita para remover ovos ‘claros’ (inférteis e mortos prematuramente). É possível fazer isso manualmente com uma lanterna, usando uma mesa de ovoscopia com remoção manual de ovos claros, ou com um sistema que detecte e remova automaticamente os ovos.

Mesmo com um sistema automatizado, recomendamos retirar amostras manualmente; de preferência, 3 bandejas de amostras por lote por semana, retiradas do topo, do centro e de baixo de um carrinho. Em seguida, os ovos claros detectados devem ser abertos e analisados, para que se verifique o nível de infertilidade e o nível de mortes prematuras. É importante não esquecer de marcar o restante da bandeja para realizar novas análises na eclosão.

Ovos claros serão usados para ração animal ou serão descartados, juntamente com ovos podres ou explodidos. Ovos podres ou explodidos devem ficar em um balde com desinfetante, para evitar a contaminação do ambiente.

Transferência manual

Os ovos podem ser transferidos manualmente, colocando a bandeja de eclosão de ponta-cabeça sobre a bandeja de incubação e, em seguida, virando ambas ao mesmo tempo manualmente ou com uma estrutura construída especialmente para esse fim. Entretanto, há algumas desvantagens nessa forma de trabalhar: além do aumento nas rachaduras, a transferência manual raramente envolve a remoção de ovos claros. Isso resulta em muitos ovos invertidos na bandeja de eclosão, fazendo com que o fluido do ovo se transfira para a câmara de ar na parte inferior, o que leva a uma mortalidade tardia dos pintinhos. Mesmo os pintinhos que eclodirem, em geral, terão uma má aparência e precisarão ser separados.

Transferência manual

Automação na transferência

A automação pode ir de algo muito básico, como uma máquina de transferência erguendo os ovos de uma bandeja e colocando-os em outra, até o descarregamento totalmente automatizado dos carrinhos de incubação e ovoscopia automática. Essa ovoscopia automática detecta a quantidade de luz que atravessa o ovo para determinar a presença ou ausência de desenvolvimento embrionário. Tecnologias avançadas são capazes de detectar vida mesmo pelo calor ou pelas batidas do coração. Isso possibilita também a remoção de ovos apodrecidos com carga bacteriológica (que podem explodir).

Entretanto, nenhum equipamento é infalível, e todo sistema precisa ser bem mantido e monitorado. Deve-se sempre verificar os ovos encaminhados como férteis para garantir que o sistema esteja correto. Por exemplo, uma luz ou câmera sujas farão o equipamento visualizar uma sombra, que pode ser interpretada como um embrião. Isso pode fazer com que todos os ovos claros passem pela transferência para o nascedouro. Qualquer ovo claro que passar pode se quebrar na retirada e contaminar os pintinhos, especialmente se uma separadora de pintinhos estiver sendo usada.

Pintinhos contaminados por ovos claros quebrados no nascedouro

Embora sistemas automáticos não causem o problema dos ovos invertidos, recomendamos prestar atenção mesmo assim, para garantir que eles sejam dispostos corretamente. Alinhamentos ruins, quedas de ovos do cabeçote de transferência e paradas abruptas das bandejas de eclosão podem fazer com que os ovos rachem. As cascas dos ovos são especialmente frágeis nesse estágio, pois o embrião absorveu e utilizou boa parte do cálcio para seu desenvolvimento. Uma rachadura nesse estágio resultará na secagem e morte do embrião.

Rachaduras nos ovos podem fazer o embrião morrer

É importante lembrar que ovos sujos passam pelos mesmos cabeçotes de transferência que os ovos limpos. Por isso, os cabeçotes podem se tornar causa de contaminação cruzada. A limpeza de rotina após cada utilização e uma limpeza com desmontagem completa a cada 3 a 6 meses, dependendo da qualidade dos ovos que chegam, é uma boa maneira de garantir uma boa higiene nesse momento.

Cabeçotes de transferência contaminados

Também recomendamos, se possível, o uso de tubos transparentes em todos os equipamentos de sucção. Isso permite ver o verdadeiro estado de limpeza interna do equipamento.

Vacinação in-ovo

A vacinação do embrião também pode ser feita na sala de transferência; contudo, é necessário permitir que o embrião se desenvolva um pouco mais, para garantir o local de aplicação ideal da vacina. Uma vacinação in-ovo bem-sucedida exige que a vacina seja aplicada no embrião ou no fluido amniótico (que é absorvido pelo embrião). Se o embrião for vacinado no alantoide, que não é absorvido, a ave terá pouca ou nenhuma proteção. Por esse motivo, a vacinação in-ovo é realizada entre 19 e 19,5 dias.

Dicas para reduzir perdas na transferência

Para identificar se o processo de transferência está gerando perdas, basta abrir alguns dos ovos não eclodidos. A gema do ovo ainda está fora do embrião? A causa mais provável da morte são danos durante a transferência. Se a gema do ovo tiver sido absorvida, isso sugere que o embrião sobreviveu à transferência, mas morreu no nascedouro. Nesse caso, recomendamos verificar as condições do nascedouro. 

 

Gema do ovo fora do embrião - gema do ovo absorvida

Obviamente, é melhor evitar perdas eventuais. Por isso, segue um resumo dos principais pontos de atenção a se ter em mente durante a transferência:

  • Retire um carrinho por vez, para minimizar o tempo fora da incubadora e evitar casos de posicionamento incorreto e mortalidade tardia, sem absorção da gema.
  • Tenha sempre ovos ou pintinhos em locais de sensores, para evitar medições incorretas e superaquecimento.
  • Use uma máquina de transferência para evitar rachaduras e garantir que os ovos não fiquem invertidos.
  • Verifique o equipamento de automação para se certificar de que ele não esteja causando rachaduras nos ovos.
  • Se uma separadora de pintinhos estiver sendo utilizada, ovos claros precisam ser removidos para evitar a contaminação de pintinhos durante a separação.
  • Descarte ovos podres ou que possam explodir em um balde com desinfetante, para evitar contaminação posterior.
  • Mantenha o equipamento limpo, para evitar contaminação cruzada.

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